Polícia Federal aponta obstrução de Justiça em dia de buscas na Abin

Direção da Agência de Inteligência teria questionado agentes da PF sobre extensão de determinação judicial e criado dificuldades para que policiais tivessem acesso aos documentos.

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A Polícia Federal identificou uma suposta tentativa de obstrução de justiça por parte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a execução de mandados de busca e apreensão em sua sede na última quinta-feira (25). Agentes relataram que foram questionados sobre a extensão dos mandados, enfrentaram obstáculos para acessar documentos e precisaram acionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para obter um novo despacho.

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O objetivo da operação era acessar documentos relacionados à chamada “Abin paralela”, envolvida em atividades de espionagem ilegal.

Embora a ordem judicial buscasse documentos dessa suposta ala da Abin, conhecida por práticas ilícitas, os agentes foram confrontados sobre a extensão da determinação e enfrentaram resistência por parte da atual direção da agência. Diante dessa situação, a PF buscou a intervenção do ministro do STF para permitir o acesso aos dados cruciais para a investigação.

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A Polícia Federal está colaborando com a Controladoria Geral da União (CGU), liderada pelo ministro Vinicius Carvalho, e recebeu autorização do STF para ter acesso ao material da investigação. A PF, com o suporte da CGU, está aprofundando as apurações sobre as atividades da “Abin paralela”.

Após os desdobramentos da operação, o governo Lula está considerando a demissão da cúpula da Abin, incluindo o número 2 do órgão, Alessandro Moretti, e avalia a situação do chefe da Abin, Luiz Fernando Correa. Há pressões internas para manter Correa no cargo, enquanto alguns ministros do STF e investigadores da PF consideram sua situação insustentável.

A investigação

A investigação revelou que a Abin mantinha uma ala paralela envolvida em espionagem ilegal, utilizando o software israelense FirstMile. Esta ferramenta permitia o monitoramento de dispositivos móveis através de dados de GPS, possibilitando não apenas rastrear a movimentação das pessoas monitoradas, mas também identificar encontros entre elas.

A PF estima que cerca de 30 mil brasileiros foram alvo dessa espionagem, incluindo ministros e políticos de oposição ao governo.

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