Morrer é uma loucura’: Sobrinha escreve carta para médico que morreu em abrigo após ajudar vítimas da chuva no RS

Leandro Medice, de 42 anos, morreu durante viagem humanitária para ajudar as vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul.

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Uma carta emocionada escrita pela sobrinha do médico Leandro Medice, de 41 anos, comoveu as redes sociais após a trágica notícia de seu falecimento. Amanda Medice, nutricionista de 22 anos, expressou sua dor e incredulidade diante da perda do tio, revelando planos que agora nunca serão realizados, como um simples almoço juntos em meio à correria do dia a dia.

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Leandro Medice morreu durante sua primeira missão humanitária no Rio Grande do Sul, onde buscava auxiliar as vítimas das devastadoras chuvas que assolaram o estado. A suspeita é de que tenha sofrido um mal súbito durante a empreitada.

Além de sobrinha, Amanda era afilhada de Leandro, a quem chamava carinhosamente de pai. Em seu comovente depoimento, compartilhado nas redes sociais, ela descreve a dor de perder alguém tão querido e próximo, lamentando a súbita partida e a falta de despedidas.

Carta aberta para o meu dindo:
Morrer é ridículo. Você combinou o que iríamos almoçar na semana seguinte, está com planos de reformar sua casa, está preocupado com contas, com várias ideias para o instituto… e do nada, pela manhã, morre. Como assim???
E os e-mails que você não leu? sua toalha molhada no varal? suas roupas para lavar? o instituto para limpar? os pacientes? a nossa família? Você passou mais de 10 anos estudando, se profissionalizando… fez fisioterapia, medicina, se especializou em cardiologia, intensivista, transplante capilar… De uma hora pra outra, tudo termina num infarto no meio da tragédia que você foi ajudar no Rio Grande do Sul. Morrer é uma loucura.
Te obrigada a sair da festa na melhor hora, sem se despedir de ninguém, sem ter um último abraço ou um último “te amo”.
Dindo, meu amor, éramos tão iguais e nunca me imaginei escrevendo isso para você… para sempre serei sua filha, sua cópia!
Eu te amo além da vida, com amor, sua filha do coração, Amanda.

Sobrinha escreve carta para médico que morreu em abrigo após ajudar vítimas da chuva no RS
Foto: Divulgação

No momento de sua morte, Leandro estava engajado em uma nobre causa, oferecendo ajuda às comunidades afetadas pelas enchentes, demonstrando sua disposição em ajudar o próximo.

O corpo do médico foi levado até o Instituto Médico Legal (IML) de Porto Alegre. O marido do médico, o acupunturista João Paulo Martins, contou que reconheceu o corpo de Leandro com a irmã de Leandro.

Nas redes sociais, a mãe do profissional também compartilhou uma publicação, na qual disse que Medice teve um infarto fulminante.

O marido de Leandro disse que ele era muito saudável e sem histórico de doenças. “Ele era muito saudável, sempre cuidou da saúde. Nunca teve histórico nenhum de problemas. Eu ainda não consigo acreditar no que aconteceu. Quando me contaram, pensei que fosse brincadeira. Ele foi para ajudar as pessoas e aconteceu essa tragédia”, contou João Paulo.

Médico e o marido.
Leandro Médice e o marido

Seu amigo, o dermatologista Carlos José Cardoso, que o convidou para a missão humanitária, descreveu os momentos finais de Leandro, ressaltando sua dedicação e alegria em servir aos necessitados.

A morte repentina de Leandro Medice causou comoção e consternação nas redes sociais, onde amigos, familiares e colegas de profissão prestaram homenagens e destacaram seu caráter solidário e comprometido com o bem-estar dos outros.

Médico que saiu do ES para ajudar vítimas da chuva é encontrado morto em abrigo no RS
Foto: Divulgação

O presidente Lula, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, foram algumas das autoridades que lamentaram a perda, ressaltando a importância do legado de solidariedade deixado por Leandro.

A clínica onde Leandro atuava também prestou homenagens, suspensão temporariamente suas atividades e expressando suas condolências pela partida prematura do médico.