Guardas metropolitanos de Palmas filmados agredindo jovem podem responder por tortura e abuso de autoridade

Ministério Público disse que espera concluir investigação sobre o caso em uma semana. Cinco guardas foram afastados das ruas pela prefeitura.

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Os guardas metropolitanos filmados agredindo um jovem em Palmas durante o atendimento de uma ocorrência em um posto de combustíveis podem responder por tortura e abuso de autoridade. A informação é do Ministério Público do Tocantins (MPTO), que ouviu nesta quarta-feira (23) o vendedor Vinícius Lucas Ferreira, de 26 anos, que foi a vítima das agressões.

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Segundo o promotor que cuida do caso, Felício de Lima Soares, a investigação deve ser concluída em até uma semana. Ele atua no controle externo da atividade policial e está convencido que houve irregularidades na atuação dos guardas. “Foge totalmente de qualquer padrão operacional de qualquer polícia”, explicou. “É nítido que houve abuso ali, é nítido que houve excesso”.

A prefeitura de Palmas afirmou que os cinco guardas que aparecem nas imagens foram afastados das ruas pela corregedoria da Guarda Metropolita de Palmas, de acordo com a prefeitura. Eles também devem responder a procedimentos administrativos. Além das acusações na área criminal, o caso também deverá ser analisado na Justiça Civil para averiguação de dano moral.

Foto: Reprodução

Vinícius contou, em entrevista à TV Anhanguera, que não entende o motivo de tanta violência. “Eu estou bastante abalado, com medo, triste por essa situação toda, estou com vergonha”. A família está inconformada com a situação. “Eu vou levar isso até onde for, mas isso não vai ficar assim, porque isso não é justo um negócio desse”, afirmou o pai do jovem.

Antes da conclusão do inquérito os guardas ainda deverão ser ouvidos pelo Ministério Público.

As agressões

A confusão foi no último domingo (20) e começou depois que guardas metropolitanos foram acionados para uma ocorrência de perturbação de sossego no estabelecimento. Um vídeo mostra o momento em que um dos homens chegou a chutar a cabeça do jovem.

Assista o vídeo:

“Só sei que o policial [se referindo ao guarda] já pegou pelo meu pescoço me jogou pra fora e começou a me agredir. Eu já deitado no chão, sem nenhuma reação, me agredindo com chute na cara, com murro, com spray de pimenta, pisando na minha cabeça, pisando no meu pescoço”, lembra Vinícius.

A família do vendedor procurou uma delegacia e registrou um boletim de ocorrência. Após a repercussão do caso, a prefeitura de Palmas disse que a ocorrência envolvendo as agressões foi encaminhada para a corregedoria da Guarda Metropolitana da cidade e que cinco agentes foram afastados temporariamente das funções externas.

Inconformado com o que aconteceu como filho, Josivam Ferreira, se deslocou do interior para ajudar o filho. Com o apoio do Movimento de Direitos Humanos do estado ele levou o caso ao Ministério Público. “Isso não se faz nem com um cachorro, hoje se você chuta um cacho você vai responder por isso. Agora como se faz isso com um será humano, será que é por que somos de cor”, questiona.

Para o presidente do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Paulo César Carbonari, esse não é um caso isolado de agressão a jovens, principalmente negros. “Estamos diante de uma realidade que se repete, infelizmente, e que no caso específico, acrescenta um componente adicional que é o uso indevido da imagem deste jovem e sua difamação de modo racista”, pontua.