Sapo-foguetinho: Anfíbio de dois centímetros pode virar símbolo do Cerrado

Conhecido internacionalmente como Goiás Rocket Frog, espécie foi descoberta em 1970. Desde então, só foi encontrada em oito municípios goianos e já esteve ameaçada de extinção.

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O sapo-foguetinho, um anfíbio rápido e arisco, ganhou destaque em Goiás desde sua primeira aparição em 1970 e desde então não foi encontrado em nenhum outro lugar do mundo. Pesquisadores locais estão empenhados em estudar e preservar essa espécie única, visando transformá-la em um símbolo da luta pela conservação do Cerrado.

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O projeto “Sapo-foguetinho do Cerrado” teve início em 2021, em resposta à ameaça de extinção enfrentada pela espécie na época. Gabryella Mesquita, uma das pesquisadoras envolvidas, enfatiza que proteger o sapo-foguetinho é essencial para a preservação do bioma do Cerrado, que abriga uma vasta biodiversidade sob ameaça constante de desmatamento.

Segundo Mesquita, as ações de conservação em prol do sapo-foguetinho também beneficiam outras espécies e o ecossistema como um todo. Essa abordagem holística visa não apenas proteger o animal, mas também o ambiente em que ele vive, reforçando a importância da interconexão na preservação da biodiversidade.

Projeto

A proposta de adotar o sapo-foguetinho como símbolo de preservação do Cerrado visa desmistificar a imagem negativa associada aos anfíbios e destacar sua importância na riqueza da biodiversidade brasileira. A mudança de percepção, argumenta Mesquita, é fundamental para promover uma maior conscientização sobre a necessidade de proteger todas as formas de vida no bioma.

Apesar de ter saído da categoria de “espécie em perigo” para “quase ameaçado” em 2022, o sapo-foguetinho ainda enfrenta desafios significativos devido à falta de políticas públicas de conservação voltadas para o Cerrado. Mesquita ressalta a importância contínua de esforços dedicados à proteção da espécie e seu habitat.

Gravador automático monitora coaxar do sapo-foguetinho, que não permite aproximação
Gravador automático monitora coaxar do sapo-foguetinho, que não permite aproximação – Foto: Divulgação / Instituto Boitatá

Dentro do projeto “Sapo-Foguetinho do Cerrado”, uma equipe de aproximadamente 15 pesquisadores e voluntários trabalha para mapear as populações da espécie e compreender seus hábitos. Após visitar mais de 60 localidades em Goiás, o grupo descobriu populações previamente desconhecidas, além de reforçar a importância de áreas de preservação.

Foguetinho

O sapo-foguetinho, também conhecido como Goiás Rocket Frog, destaca-se por seu tamanho diminuto, cerca de dois centímetros, e hábitos diurnos. Mesquita destaca a peculiaridade da espécie, que canta durante o dia, diferentemente da maioria dos sapos anuros, que são noturnos.

A rápida e esquiva natureza do sapo-foguetinho representa um desafio para os pesquisadores, exigindo o uso de gravadores automatizados para monitorar seu coaxar. Essa abordagem acústica é crucial para compreender como a atividade vocal do sapo afeta sua vida e reprodução.

Líder mundial

Apesar dos desafios, o Brasil permanece como líder mundial em diversidade de anfíbios, com mais de 1,2 mil espécies registradas em seu território. No entanto, Mesquita alerta que cerca de 190 dessas espécies estão ameaçadas de extinção, destacando a urgência de esforços contínuos de conservação.

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