No Tocantins, mulher recebe alta mesmo sem ter cirurgia no coração finalizada

Paciente passou por dois procedimentos para corrigir uma veia entupida, mas nas duas vezes não tinha o stent necessário. Ela está internada há 15 dias no HGP a espera da terceira cirurgia.

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Telma Lúcia Lopes Barreto está internada há 15 dias no Hospital Geral de Palmas (HGP) a espera da terceira cirurgia no coração. Ela passou por outros dois procedimentos para corrigir a veia entupida que não foram finalizados porque a unidade não tinha o material necessário. Só que mesmo assim a mulher recebeu alta e foi para casa. Ela só descobriu que ainda estava com o problema após voltar a apresentar os sintomas.

A primeira angioplastia foi no dia 21 de setembro e ela estava ciente que usariam um balão no lugar do stent. Segundo a paciente, cerca de três dias depois ela ficou novamente inchada e com falta de ar, “eles falaram que tinha que fazer novamente a angioplastia aqui no HGP. Aí marcaram para o dia 26, falando que tinha chegado o material. Quando fez a [segunda] cirurgia disse que foi tudo certo, que foi ótimo a cirurgia”, contou a paciente.

Depois desse segundo procedimento a paciente recebeu alta e foi para casa. Ela mora em Taguatinga, a 450 quilômetros de Palmas. A mulher percebeu que os sintomas continuavam e foi quando descobriu que o último procedimento também não tinha sido completo.

“Fui ao hospital de Taguatinga, lá conversei com o doutor, que ligou aqui em Palmas com os vasculares. Eles falaram que não colocaram o stent porque não tinha chegado ainda e tinham colocado apenas o balão e sabia que eu tinha que retornar. Nesse momento eu não sabia de nada, só fiqueis sabendo porque o doutor de Taguatinga me falou”, afirmou.

São seis meses de vai e vem para a capital, sofrendo com o desgaste das cirurgias e em meio a pandemia de coronavírus. A família dela está preocupada. “A gente fica preocupado porque precisamos que o hospital tome alguma iniciativa”, comentou a irmã da paciente, Lindalva Lopes.

Para o advogado Wilson Santos, especialista em direto civil, em casos assim resolver pela Justiça pode ser mais fácil do que insistir pelo administrativo do hospital. Além disso, a paciente pode até receber uma indenização se ficar comprovado que houve erro.

“O poder judiciário para esse tipo de casa hoje é rápido e por incrível que pareça, não devia ser assim, mas está sendo mais rápido que administrativamente […] por algum motivo o Estado não faz a sua parte e é preciso que o poder judiciário entre e ordene que o Estado faça o seu dever”, disse.

Enquanto a situação não se resolve a Telma Lúcia segue esperando e começa a sofrer complicações. Recentemente, segundo ela, foi preciso fazer um procedimento para corrigir uma trombose que surgiu no braço.

O que diz a Secretaria de Saúde

A Secretaria de Estado da Saúde informou que a paciente Lúcia Lopes está sendo acompanhada pela equipe médica do hospital e o procedimento realizado em setembro, foi o mais indicado naquele momento.

Afirmou também que a equipe médica solicitou a aquisição de novos materiais para realização do procedimento, previsto para a essa semana.

*Com informações do G1