STJ mantém prisão de empresário acusado de envolvimento com o tráfico internacional de drogas

O empresário de Araguaia, Márcio César Trindade Oliveira, está preso desde abril deste ano e defesa entrou com pedido de habeas corpus, que foi indeferido.

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Uma decisão proferida pela ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve a prisão preventiva de Márcio César Trindade Oliveira, conhecido como César Trindade, empresário de Araguaína, no norte do Tocantins. Ele é um dos investigados na Operação Rota Caipira, que apura um esquema de tráfico internacional de drogas.

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César Trindade, proprietário de uma concessionária de veículos, está detido desde 26 de abril, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação. A suspeita é de que o empresário tenha financiado e participado da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.

Sua defesa, representada pelos advogados Edgar Luís Mondadori e Michel Pires Ferreira, informou que a ministra decidiu que a matéria não seria analisada em regime de plantão e aguarda o julgamento do habeas corpus.

A decisão da ministra, assinada no sábado (22), refere-se a um habeas corpus com pedido de liminar apresentado pela defesa do empresário. O pedido visava revogar a prisão, alegando que outros co-investigados na mesma situação processual foram libertados. No entanto, a ministra Maria Thereza negou a liminar, argumentando que a análise do pedido não seria feita durante o regime de plantão na instância superior.

A decisão também foi baseada em parte das acusações contra César Trindade, que estão em processo. Ele é acusado de usar sua empresa para lavar dinheiro, adquirir bens e até mesmo uma aeronave em nome de um sobrinho também investigado, além de suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

A operação

A Operação Rota Caipira foi realizada em abril e teve abrangência em diversos estados brasileiros. Foram expedidos 195 mandados, incluindo 28 de prisão preventiva e 95 de busca e apreensão. Além disso, foram realizados sequestros judiciais de três propriedades rurais e a apreensão de 16 aeronaves supostamente ligadas ao esquema. As ordens também incluíram bloqueios de até R$ 300 milhões em bens dos investigados.

Foto: Divulgação

A investigação da Polícia Federal revelou que a organização criminosa comprava cocaína em outros países e a transportava por uma complexa estrutura aérea até pontos estratégicos nos estados do Pará, Tocantins e Maranhão. O destino inicial dos carregamentos era as capitais nordestinas, como São Luís (MA), Teresina (PI) e Fortaleza (CE), mas a possibilidade de envio da droga para países da Europa também está sendo apurada.

As investigações tiveram início em novembro de 2020, após uma colaboração entre a Polícia Federal e a Polícia Militar do Pará, que resultou na apreensão de 815 kg de cocaína em Tucumã (PA).

De acordo com as acusações, César Trindade teria sido um dos financiadores do tráfico internacional, além de envolver-se na lavagem de dinheiro, utilizando carros de luxo e outros bens para essa finalidade.