Idosos centenários morrem no mesmo dia após quase 80 anos juntos no sudeste do Tocantins

Mamédio Alves Magalhães, de 105 anos, e Ana Araújo Magalhães, de 100 anos, morreram com apenas quatro horas de diferença, em Paranã.

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A frase comumente usada para selar cerimônias de casamento, “Até que a morte os separe”, ganhou um significado profundo na história de Mamédio Alves Magalhães e Ana Araújo Magalhães, um casal de idosos que residia em Paranã, região sul do Tocantins. Com idades impressionantes de 105 e 100 anos, respectivamente, o casal permaneceu unido até o momento em que a morte os separou, com uma diferença de apenas quatro horas.

Desde o dia em que se casaram, Mamédio e Ana viveram sempre juntos, conforme relatado por Ediana Quirino Magalhães, sobrinha-neta de 38 anos, que cuidava deles.

“Há cinco dias, ele ainda estava bem, enquanto ela estava lutando contra uma pneumonia grave e não havia muito o que pudéssemos fazer. A partir desse momento, ele perdeu o interesse em se alimentar corretamente. Dávamos os remédios e ele apenas segurava-os na boca. Isso aconteceu quando ela estava internada e ele a viu partir”, relembrou Ediana.

Foto: Divulgação

A sobrinha-neta explicou que, após ver sua amada ser internada e retornar para casa em estado debilitado, Mamédio começou a enfraquecer devido à falta de apetite. Para ajudar na recuperação do idoso, Ana recebeu alta da internação. No entanto, na quinta-feira (29), foi Mamédio quem precisou ser hospitalizado.

As últimas horas

Nas últimas horas de suas vidas, eles foram separados. Mamédio faleceu no hospital, enquanto Ana faleceu em casa. No entanto, eles partiram no mesmo dia, com apenas uma diferença de aproximadamente quatro horas, de acordo com a família.

“No hospital, não havia mais nada a ser feito pela minha avó. Nós a trouxemos para casa para que ela ficasse perto dele. Ele a viu em um estado em que ela apenas piscava os olhos e abria a boca. Ontem [quinta-feira], o levamos para o hospital, e o médico decidiu que ele deveria permanecer lá para receber medicação”, explicou Ediana.

Ediana relatou que a piora ocorreu no dia seguinte e descreveu como se despediram de sua avó.

“Por volta das 4h da sexta-feira, recebemos uma ligação urgente. Quando era cerca de 8h, as pessoas que estavam me ajudando foram dar um banho nela e foi nesse momento que ela nos deixou”, contou Ediana.

Como não tiveram filhos, eles sempre estiveram um ao lado do outro. Ediana compartilhou que eles ajudaram a criar muitas crianças da cidade e da zona rural onde viviam.

“Naquela época, não havia muitas opções de educação e ela adorava ler. Então, os pais deixavam seus filhos com eles. E eu fui uma dessas crianças”, disse Ediana, relembrando sua infância ao lado de Mamédio e Ana, a quem ela carinhosamente chamava de avós.

Enterro na fazenda onde viviam

O velório do casal ocorreu nesta sexta-feira (30) em sua fazenda, localizada na zona rural de Paranã. O enterro será realizado na propriedade no início da manhã de sábado, 1º de julho. Esse era um desejo de Mamédio, que foi atendido pela família.

A Prefeitura de Paranã expressou tristeza pela perda dos moradores e ofereceu condolências à família.

“Neste momento de luto, desejamos que a força e a união possam ser encontradas, e que o amor e a esperança possam trazer consolo àqueles que estão sofrendo com a partida desses estimados cidadãos”, declara a nota de pesar.

*Com informações do G1