Defensoria acompanha famílias sob ameaças de pistoleiros em acampamento próximo a Ipueiras

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As cerca de 60 famílias que habitavam a área da Fazenda União (região de Ipueiras), alvo de violência no campo na última quarta-feira (23), ainda não retornaram às casas por medo de um novo episódio de violência. Uma equipe da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO ) realizou atendimento aos moradores na tarde de segunda-feira (28), no município de Brejinho de Nazaré. O atendimento coletivo foi realizado pelos defensores públicos Denize Souza Leite, Kênia Martins, Isabella Faustino Alves e Pedro Alexandre Conceição, coordenador do  Defensoria Pública Agrária (DPAGRA ).

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Na ocasião, os Defensores Públicos colheram depoimento dos moradores e prestaram orientações jurídicas, com o intuito de levantar informações sobre as violações ocorridas. Conforme a defensora pública Denize Souza Leite, da DPE-TO em Porto Nacional, a área, localizada em uma região conhecida como “Pântano do Papaguaio é objeto de uma demanda judicial onde se discute a posse. “A Defensoria Pública ainda não está habilitada porque até então é um processo da Investco com os supostos proprietários da área, onde todos possuem advogado. Mas com a situação de violência contra os ocupantes que também se encontram na região, é imprescindível a atuação Defensorial”, explicou Denize.

Violência

Destruição de objetos pessoais, casas incendiadas, torturas e agressões foram relatados pelos moradores no atendimento que foi realizado de forma coletiva e individual. “Quem pode promover despejo é somente a Polícia. Despejos com ameaças, jagunços, pistoleiros e repletas de violência são completamente irregular”, defende Pedro Alexandre Conceição. Segundo ele, a área é ocupada por pessoas que tinham uma ligação antiga com a terra e retornaram às origens, membros do MST – Movimento Sem Terra para destinação de reforma agrária e supostos proprietários da terra.

Segundo os moradores, somente neste ano já foram feitos 11 boletins de ocorrência de casos semelhantes. O último deles, considerado o mais grave, aconteceu por volta de meio dia do dia 23 agosto, quando oito homens entraram na área portando armas de fogo, ameaçando-os de morte e tocando fogo em alguns dos barracos. “Agrediram o meu pai enquanto ele dormia, tocaram fogo no barraco dele, meteram a faca nas costas e no peito dele, cortaram um pedaço da orelha e o ameaçaram de morte”, conta uma das filha de Luis Domingos Gomes, de 76 anos, internado em Porto Nacional.

No momento da última ocorrência, os moradores saíram do local, mas deixaram para trás os objetos pessoais. “Estamos vivendo um filme de terror, recebemos ameaças todos os dias de que se voltarmos vai ser pior, que vamos virar estrume de terra. Enquanto isso, não temos sequer como buscar o pouco que sobrou depois do incêndio.” O relato é de J.E.G, que estava grávida de 2 meses e perdeu o bebê ao receber ameaças de pistoleiros que dispararam tiros contra a moto de seu marido.

O acesso à Fazenda à União é feito exclusivamente por barco atualmente. “Estamos ilhados porque até mesmo o barqueiro está ameaçado. As crianças estão sem acesso à escola e saúde porque estudam do lado de lá do rio e nem todo mundo tem canoa. Tem uma estrada que dá acesso por terra, mas nem o transporte escolar e nem a gente passa porque não liberam a cancela e disseram que quem abrir vai morrer”, denuncia M.F.G.

Despejo

No mesmo dia do atendimento em Brejinho, os defensores públicos Pedro Alexandre Conceição e Denize Souza Leite estiveram em Porto Nacional, no período da manhã, em reunião no 5º Batalhão da Polícia Militar, onde foi acordada a suspensão do mandado de reintegração, uma vez que a decisão não abrangeria cerca de 50 famílias que estariam ocupando a região. Além disso, foi solicitada a investigação criminal do caso.

A Fazenda União está na área conhecida como Pântano do Papagaio de 630 alqueires, que abriga mais de 300 pessoas, dentre crianças, jovens adultos e idosos, oriundas de comunidades de Brejinho de Nazaré e Porto Nacional.  Os primeiros habitantes chegaram ao local há mais de 30 anos, mas após uma ação de reintegração saíram do local e alguns familiares retornaram em setembro do ano passado. Já os conflitos se iniciaram em maio deste ano, supostamente comandados por um político da cidade, conforme denúncia dos ocupantes. (Ascom/DPE)

Foto: Cinthia Abreu

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