No Tocantins: Justiça começa a ouvir delegados e agentes investigados por suposto grupo de extermínio na Polícia Civil

Julgamento serve para decidir se os réus serão levados a júri popular.

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Os policiais e delegados investigados por supostamente integrar um grupo de extermínio na Polícia Civil em Palmas começam ser ouvidos nesta segunda-feira (22). Depois desta fase, o colegiado de juízes que conduz o processo vai decidir se eles serão levados a júri popular.

O grupo foi denunciado em julho do ano passado pela promotoria de Justiça da capital. Eles são suspeitos de pelo menos cinco mortes que aconteceram em 2020, supostamente para a promoção de uma ‘limpeza social’ em Palmas, pois as vítimas tinham antecedentes criminais.

São investigados os delegados Ênio Walcacer de Oliveira Filho e Amaury Santos Marinho Junior, além dos agentes Antônio Martins Pereira Junior, Carlos Augusto Pereira Alves, Giomari dos Santos Junior, Callebe Pereira da Silva e Antônio Mendes Dias.

A audiência de instrução e julgamento está marcada para começar a partir das 12h, no Fórum de Palmas.

O cronograma original do processo previa que todas as testemunhas e os acusados fossem ouvidos até o fim da semana passada. Segundo o Tribunal de Justiça, o planejamento acabou não sendo cumprido devido ao volume de depoimentos e duração de alguns interrogatórios.

Uma das testemunhas, por exemplo, foi ouvida por 16 horas.

Na última quinta-feira (18) foi encerrada a fase de depoimento das testemunhas de acusação e de defesa. Agora restam ser ouvidos apenas os acusados.

As audiências são conduzidas pelo colegiado formado por três juízes e contam com a presença de promotores de justiça e advogados.

O que diz a defesa dos investigados

No início da fase de interrogatórios, a defesa do delegado Ênio Walcacer informou que a audiência vai ser para comprovar a inocência dele.

O advogado do delegado Amaury Santos disse que estranha o fato de que Amaury ainda esteja preso, já que não haveria razões para isso. Ressaltou ainda que está empregando todos os esforços para que o delegado seja inocentado.

A defesa dos agentes afirmou, nesta segunda-feira (22), que todas as testemunhas ouvidas, inclusive as de acusação, isentaram a participação dos réus nos crimes narrados na denúncia e afastaram a participação direta deles em qualquer ato praticado nas mortes narradas.

Entenda

Segundo as investigações da Polícia Federal, o grupo seria responsável por várias mortes que aconteceram em Palmas entre 2019 e 2020. Entre as execuções supostamente atribuídas ao grupo de extermínio, a denúncia cita as mortes de Geovane Silva Costa e Pedro Henrique Santos de Souza, que ocorreram em março de 2020 no Setor União Sul, em Palmas.

Para os promotores, os assassinatos teriam sido cometidos por motivo torpe e “na intenção dos agentes de promover uma ‘limpeza social’ em Palmas”, já que as vítimas eram pessoas com antecedentes criminais.

Outras três mortes que ocorreram no mesmo dia das anteriores, só que no Setor Aureny I, também são associadas aos denunciados. As vítimas são José Salviano Filho Rodrigues, Karita Ribeiro Viana e Swiany Crys Moreno dos Santos, que morreram nas mesmas condições.

Todos os denunciados são suspeitos de integrarem o grupo de extermínio. Segundo apurado, os agentes Antônio Júnior, Antônio Mendes, Carlos e Giomari seriam responsáveis por cometer os assassinatos. Callebe acompanhava em tempo real a localização e deslocamento das vítimas e os delegados seriam responsáveis por coordenar as ações, ‘instigando e incentivando os executores’.

A denúncia também cita que o delegado Amaury e os agentes Antônio Mendes, Giomari e Callebe também teriam atrapalhado a apuração de crimes que supostamente envolviam a organização criminosa quando descobriram que estavam sendo investigados, entre março e maio deste ano.

A investigação apontou ainda que os policiais supostamente usavam os carros da própria delegacia para cometer os crimes.

Por g1