Medicamento para tratar doenças crônicas graves está em falta na assistência farmacêutica do Tocantins

Remédio não é encontrado em farmácias e tem alto custo. Ministério da Saúde disse que vai enviar remessa, mas demanda só deve ser suprida em outubro devido troca de laboratório.

Compartilhe

Um medicamento utilizado para o tratamento de doenças crônicas graves está em falta na assistência farmacêutica do estado. Trata-se da adalimumabe, utilizada para tratar a doença de Crohn e artrite psoriásica, por exemplo. Os pacientes estão preocupados porque a interrupção do tratamento pode agravar as doenças.

A advogada Laudineia Nazareno faz tratamento com o remédio, mas está há quase um mês sem o medicamento que deveria ser fornecido pelo estado. “A assistência farmacêutica diz que não tem nem previsão de chegada. Eu já estou sentindo as consequências da interrupção do tratamento”, disse.

A Maria do Rosário também faz uso da adalimumabe desde 2019. “Dentre todos os outros medicamentos esse foi o único que conseguiu reverter a situação grave de saúde que eu enfrentei. A falta dele vai afetar muito o meu tratamento”, disse.

O medicamento é de alto custo e só é fornecido pelas secretarias e planos de saúde. “Essa é uma medicação de liberação especial. Ela não está disponível nas farmácias comuns. É comercializada diretamente do Ministério da Saúde junto ao fabricante”, explica o reumatologista Danilo Ruiz.

O médico disse que a falta do medicamento pode causar danos irreversíveis aos pacientes. “A falta desse remédio pode causar danos. As doenças reumáticas que são tratadas com esse medicamento podem causar deformidades, incapacidade e se interrompido o tratamento pode ter consequências irreversíveis”, disse o médico.

O que diz a Secretaria de Saúde

A Secretaria de Estado da Saúde informou que a compra desse remédio é de responsabilidade do Ministério da Saúde, já notificou a União e aguarda retorno do fornecimento. O MS também foi procurado e afirmou que o remédio é distribuído de acordo com a necessidade informada pelas secretarias estaduais, responsáveis pela distribuição.

O Ministério disse que houve uma mudança de laboratório e precisou de uma doação do medicamento em uma quantidade suficiente para regularizar o abastecimento do primeiro trimestre deste ano. A expectativa de entrega do lote é até o fim de março.

A previsão de entrega dos lotes pelo novo laboratório é só a partir de outubro.