Em nota divulgada na quinta-feira (6), os procuradores da República ligados à força-tarefa da Operação Lava Jato manifestaram-se contra a dissolução do grupo de trabalho exclusivo da operação no Paraná. Eles afirmaram que “o desmonte do grupo exclusivo da Polícia Federal na investigação prejudica as apurações”.
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“O efetivo da Polícia Federal na Lava Jato, drasticamente reduzido no governo atual, não é adequado à demanda. Hoje, o número de inquéritos e investigações é restrito pela quantidade de investigadores disponíveis. Há uma grande lista de materiais pendentes de análise, e os delegados de polícia do caso não têm condições de desenvolver novas linhas de investigação, pois estão sobrecarregados com as demandas ordinárias do trabalho acumulado”, diz a nota.
Leia a íntegra:
Dissolução do Grupo de Trabalho da Lava Jato na Polícia Federal prejudica as investigações
Os procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba (PR) manifestam sua discordância em relação à dissolução do Grupo de Trabalho da Lava Jato na Polícia Federal.
- A Operação Lava Jato investiga corrupção bilionária praticada por centenas de pessoas, incluindo ocupantes atuais e anteriores de altos cargos no Governo Federal. Foram realizadas 844 buscas e apreensões em 41 fases, que resultaram na apreensão de um imenso volume de materiais – apenas na primeira fase, foram mais de 80 mil documentos. Hoje, são rastreadas mais de 21 milhões de transações, envolvendo mais de R$ 1,3 trilhão. Mais de 280 pessoas foram acusadas de crimes graves como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e centenas de outras permanecem sob investigação. Embora já tenham sido recuperados, de forma inédita, mais de R$ 10 bilhões, há um potencial de recuperação de muitos bilhões, caso as investigações prossigam.
- A anunciada integração do Grupo de Trabalho da Lava Jato à Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, após a redução do número de delegados para menos da metade, prejudica as investigações e dificulta que prossigam com a mesma eficiência com que se desenvolveram até recentemente.
- O efetivo da Polícia Federal na Lava Jato, drasticamente reduzido no governo atual, não é adequado à demanda. Hoje, o número de inquéritos e investigações é restrito pela quantidade de investigadores disponíveis. Há uma grande lista de materiais pendentes de análise, e os delegados de polícia do caso não têm condições de desenvolver novas linhas de investigação, pois estão absorvidos pelas demandas ordinárias do trabalho acumulado.
- A redução e dissolução do Grupo de Trabalho da Polícia Federal não contribuem para priorizar as investigações ou facilitar o intercâmbio de informações. Pelo contrário, a distribuição das investigações para um maior número de delegados e a ausência de exclusividade na Lava Jato prejudicam a especialização do conhecimento e da atividade, o desenvolvimento de uma visão global do caso, a descoberta de interconexões entre os diversos investigados e, consequentemente, os resultados.
- A necessidade de ampliar a equipe, decorrente do acordo feito com a Odebrecht, levou ao aumento da equipe do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba, o que ocorreu em paralelo ao aumento das equipes da Lava Jato no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, enquanto a Polícia Federal reduziu a equipe e dissolveu o Grupo de Trabalho da Lava Jato em Curitiba.
- A Polícia Federal, assim como a Receita Federal, são parceiras indispensáveis nas investigações da Lava Jato. Reconhece-se ainda a dedicação do superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Franco, e do Delegado de Polícia Federal Igor de Paula, nas investigações. Contudo, a medida tornada pública nesta quinta-feira (6) representa um retrocesso evidente. Por isso, o Ministério Público Federal espera que a decisão seja revista, com a reversão da diminuição do efetivo e da dissolução do Grupo de Trabalho da Polícia Federal na Lava Jato, para que as investigações contra centenas de pessoas possam prosseguir regularmente e com eficiência, garantindo a recuperação dos bilhões desviados.