Caminhoneiro morre em hospital de Porto Nacional com suspeito de coronavírus

Caso é investigado pela Secretaria Estadual de Saúde. Homem de 55 anos era do Rio Grande do Sul e estava de passagem pelo Tocantins; ele morreu no Hospital Regional da cidade.

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A morte de um caminhoneiro de 55 anos é investigada pela Secretaria Estadual da Saúde do Tocantins. Ele era diabético e morava no Rio Grande do Sul, mas estava há 20 dias de passagem pelo estado. O paciente chegou a ficar internado, mas morreu no Hospital Regional de Porto Nacional, na noite deste sábado (21).

Conforme a secretaria, na manhã deste sábado, o paciente Ancelmo Müller compareceu a uma unidade de saúde de Silvanópolis e depois foi transferido para o Hospital Regional de Porto Nacional, onde recebeu atendimento da equipe multidisciplinar e ficou em uma ala isolada na unidade, recebendo suporte por meio de oxigênio, diz a nota.

Até a manhã deste domingo (22), o governo confirmou dois casos. Outros 79 casos suspeitos eram acompanhados e 17 foram descartados.

Na noite deste sábado, o paciente apresentou uma piora e foi entubado. Ele seria encaminhado ao Hospital Geral de Palmas mas não resistiu.

A secretaria disse também que as amostras do paciente tinham sido colhidas pelo município de Silvanópolis, já que o quadro estava dentro dos critérios para casos suspeitos do novo coronavírus. Além disso, ele já estava dentro da lista do último boletim de acompanhamento divulgado pelo governo.

O município de Silvanópolis fará monitoramento das pessoas que estiveram em contato com o paciente antes da internação e repassará as informações ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, segundo informou a secretaria.

O Instituto Médico Legal de Porto Nacional informou que, quando a suspeita é coronavírus, não é permitido fazer a necrópsia. Informou que o hospital emitiu declaração de óbito e uma funerária buscou o corpo na unidade.

Corpo será cremado

Por causa da pandemia que se espalhou pelo pais, o velório de Ancelmo Müller não será realizado em Jacutinga, no Rio Grande do Sul, onde a família mora. O corpo deve ser cremado no Tocantins, segundo a família. “Não teve como me despedir, não pude dar um abraço”, lamenta o filho do paciente, o engenheiro agrônomo Derli Müller, de 29 anos.

No dia 12 de fevereiro, Ancelmo pegou o caminhão e saiu de Jacutinga em direção ao Tocantins. O filho lembra que há 10 anos, o pai fazia o mesmo trajeto. Ele tinha amigos em Silvanópolis e ia até a região para transportar até os silos a soja colhida nas fazendas.

“Quando eu liguei na quinta-feira [dia 18 de março], ele me falou que estava com febre. Um bichinho tinha mordido ele, pensamos que até era um escorpião e achamos que a febre poderia ter sido por isso. Meu pai não sabia direito o que estava acontecendo, a proporção que a doença tinha tomado. Eu até expliquei para ele”, comenta o filho.

Derli disse que falou para o pai ir até uma farmácia comprar remédios para controlar a febre. Ancelmo também tinha diabete e os remédios que ele tomava havia acabado. “Eu conversei com ele na sexta-feira, no momento ele estava comprando remédio, depois não conseguimos mais contato”, contou.

Depois disso, Derli recebeu telefonema da unidade de saúde de Silvanópolis, onde o caminhoneiro foi internado. A notícia da morte foi dada na madrugada deste domingo (22). Derli disse que a família tem esperanças de que não seja coronavírus. “Estamos torcendo para que não seja, justamente porque ele teve contato com muitas pessoas, nos preocupamos com isso”.

*Com informações do G1.