Cabo da PM do Tocantins é investigado por agredir policial mulher com ripa de madeira no Ceará

Agressão foi registrada durante um curso tático. Comando da PM afirmou que repudia qualquer desvio de conduta mas não afastou policial e aguarda a documentação para avaliar o caso.

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Um instrutor é suspeito de agredir uma policial mulher com uma ripa de madeira, durante um curso tático no Ceará. Ele é cabo da Polícia Militar do Tocantins e não chegou ser afastado pela corporação. O comando-geral da PM afirmou que repudia qualquer desvio de conduta e aguarda documentação para avaliar o caso.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia da Mulher, o nome do policial militar suspeito de agressão é Rafael Ferreira Martins. Atualmente, ele integra o Batalhão Rodoviário e Divisas (BPMRED) e estava participando, juntamente com outros instrutores, de um curso tático para policiais femininas organizado pela Secretaria de Segurança do Ceará.

Conforme informações disponíveis no Portal da Transparência, Rafael é cabo e recebe um salário de R$ 7.852,75. Até o momento, não foi possível contatar sua defesa para obter um posicionamento.

O cabo Rafael estava presente na 3ª edição do Curso Tático Policial Feminino até o dia 8 de junho, mesma data em que a vítima relatou ter sofrido a agressão. Uma fonte policial, que preferiu manter sua identidade em sigilo, informou ao g1 CE que o instrutor foi afastado do curso antes do previsto devido à denúncia.

Embora a agressão tenha ocorrido em maio, somente no início desta semana ela veio a público. Fotos divulgadas nas redes sociais mostram as nádegas da vítima com marcas visíveis de machucados.

O comando-geral da Polícia Militar emitiu uma nota informando que a supervisão do curso foi de responsabilidade exclusiva da instituição que organizou o evento.

“Ao tomar conhecimento das informações por meio da imprensa, entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Governo do Estado do Ceará, solicitando toda a documentação existente sobre o caso, para avaliação”, diz a nota.

A proposta do curso, com quatro semanas de duração, era treinamento em defesa pessoal, técnicas operacionais policiais, salvamento, entre outros procedimentos. Participaram mulheres militares de Pernambuco, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Norte e Piauí.

Curso de formação da polícia no ceará
Policial Rafael Ferreira ministrando curso para mulheres – Foto: PM/Divulgação

A vítima, que é do Maranhão, conta que no oitavo dia de aula, um dos PMs instrutores alegou que um pedaço de sua pizza havia sumido e, por isso, puniu as mulheres as agredindo com uma ripa de madeira.

“Sim, essa sou eu, vítima de um macho escroto que se diz instrutor de curso! Um cabo da polícia militar do Tocantins, que mesmo depois do ocorrido está sendo ovacionado pela instituição e por todos que participaram do curso. Curso tático feminino deveria, sim, ser direcionado apenas para mulheres”, relatou a vítima em uma postagem.

Ela acabou desistindo do curso após ser agredida e disse que está fazendo tratamento psicológico para lidar com o trauma. O caso está sendo apurado pela Secretaria da Segurança Pública do Ceará.

O governador do Ceará, Elmano de Freitas, classificou a denúncia como “inadmissível e revoltante” e ordenou a troca do diretor-geral da Academia Estadual de Segurança Pública, que promoveu o treinamento.

O que diz a PM do Tocantins

Referente à informação de que uma aluna do Curso Tático Policial Feminino, realizado na Polícia Militar do Ceará, teria sido agredida por um instrutor Policial Militar do Tocantins, durante atividades do curso, a Polícia Militar esclarece que:

1 – A supervisão do referido curso coube exclusivamente à instituição Promotora do evento, a qual, inclusive já está apurando os fatos devidamente;

2 – Ao tomar conhecimento das informações por meio da imprensa, entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Governo do Estado do Ceará, solicitando toda a documentação existente sobre o caso, para avaliação;

A Polícia Militar repudia veementemente qualquer desvio de conduta e/ou excesso direcionado a qualquer pessoa, praticado por policial militar, em razão da função ou fora dela e reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito aos direitos humanos.

*Com informações do G1