2017 | No mínimo a capacidade de indignar-se

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“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”
(Santo Agostinho)

Indignação é o sentimento diante desse cenário de golpe político e de corrupção que vem passando em nosso pais. Há quatro anos atrás não podíamos imaginar o que estava por vir em 2017, ano que convivemos com um presidente ilegítimo sustentado por um parlamento majoritariamente envolvido em processos judiciais e que legisla em causa própria. E ainda um juizado que não podemos confiar,  totalmente deslocado dos anseios da população.

Este ano, estiveram no nosso cotidiano algumas realidades como: congelamento e corte de investimentos públicos,  aumento de impostos,  permissão para mineração na Amazônia, avançado aumento do desmatamento das florestas primárias, não demarcação e invasão das terras indígenas e quilombolas, venda do território nacional aos estrangeiros, entre outros absurdos.

Diante do consequente aumento da pobreza e da fome, do machismo, racismo e da LGBTfobia, da repressão e da violência urbana, que atinge principalmente a juventude negra, precisamos recuperar forças, resistir e lutar. Sonhar com um país onde a inteligência e a solidariedade sejam abundantes e consigam superar o individualismo, o egoísmo, o casuísmo e a mentalidade  de uma elite que insiste em  oprimir.

Em quase dois anos, conseguiram impor este nível inédito de regressão social e democrática. Historicamente botaram a perder os três grandes pactos sociais do último século: o pacto lulista, com seus programas sociais; o pacto da Constituição de 1988, com a soberania do voto e a garantia de serviços públicos universais; e o pacto varguista, com sua legislação trabalhista e previdenciária, os próximos pactos a serem atacados, podem ser a lei Áurea ou a Independência do Brasil.  O projeto ataca direitos conquistados há mais de 70 anos.

Por isso, a única saída para a situação em que o País se encontra é a ampla mobilização popular,  para interromper a agenda de destruição nacional. Isso deve resultar na defesa da convocação antecipada de eleições gerais ou no mínimo eleições em 2018. E, neste cenário, deve-se exigir de qualquer projeto  o comprometido com os interesses populares que tome como ponto de partida a revogação dos retrocessos do golpe, a retomada da democracia e da soberania.

Goiânia, 25 de dezembro de 2017