Lixo hospitalar: empresas podem ser multadas em até R$ 50 milhões por crime ambiental

>> Siga o canal do "Sou Mais Notícias" no WhatsApp e receba as notícias no celular.

O relatório feito após fiscais encontrarem toneladas de lixo hospitalar em um galpão do Distrito Agroindustrial de Araguaína foi divulgado pela Secretaria de Meio Ambiente do município, nesta quarta-feira (28). Conforme o documento, duas empresas ligadas a família Olinto serão autuadas e podem pagar multas de até R$ 50 milhões por danos ao meio ambiente e despejar resíduo infectante em local impróprio.

No relatório não há a quantidade exata de lixo retirada do galpão. Porém, estima-se que ao todo, foram encontrados 90.610 mil quilos de resíduos ligados a hospitais públicos do Tocantins, sendo que a grande maioria estava no galpão. Outros 1.950 quilos de resíduos foram localizados em um caminhão apreendido hotel da família Olinto.

Polícia Civil encontrou mais lixo hospitalar enterrado em uma fazenda da família Olinto. Os resíduos foram localizados no último final de semana, graças a uma denúncia anônima. A Prefeitura de Araguaína informou que o governo do Estado será notificado a pagar o valor gasto pelo município para coletar o lixo irregular recolhido na cidade.

Ainda segundo o relatório, as empresas Sancil Sanantônio Construtora e Incorporadora, que seria do pai do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), o ex-juiz eleitoral e advogado João Olinto, e a Agromaster, dona do caminhão encontrado no hotel, descumpriram normas e princípios de proteção ambiental. A segunda firma seria do Olyntho Neto, que negou envolvimento no esquema.

A fiscalização apontou ainda que além do depósito irregular, as empresas não tinham licença ou autorização para funcionamento. Além disso, o galpão encontrado no distrito agroindustrial estava em total desacordo com as normas ambientais e não possuía licença ambiental.

Por fim, o relatório apontou também que os resíduos saíram dos hospitais regionais de Araguaína, Gurupi e Porto Nacional. As unidades eram atendidas pela Sancil, contratada pelo Estado sem licitação. O próprio secretario de saúde do Estado admitiu que a empresa não tinha capacidade técnica para fazer o serviço.

As duas empresas podem ser multadas em até R$ 50 milhões por diversas infrações as leis ambientais. Porém, segundo aprefeitura, o valor da multa será definido junto ao Ministério Público Estadual.

Sobre o escândalo do lixo hospitalar

A polêmica começou quando um galpão foi encontrado com quase 200 toneladas de lixo hospitalar.  No local deveriam funcionar duas empresas cadastradas no nome do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), filho do advogado e ex-juiz eleitoral João Olinto. O parlamentar negou envolvimento.

 Investigação

João Olinto é apontado como sócio da Sancil Sanantonio Construtora e Incorporadora LTDA, empresa contratada sem licitação para coletar o lixo do Hospital Regional de Araguaína. Conforme o contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado, do dia 6 de agosto desse ano, o valor mensal pelo serviço ultrapassa R$ 500 mil. o ex-juiz nega que tenha vínculo com a empresa.

Polícia Civil informou que investiga a relação dessa empresa com o galpão onde foram encontradas mais de 200 toneladas de lixo na última quarta-feira (7). A suspeita é que esses resíduos sejam do Hospital Regional de Araguaína.

As investigação indicam que o galpão pertenceria ao deputado estadual Olyntho Neto e filho do ex-juiz eleitoral. No local deveria funcionar uma fábrica de farinha, mas a estrutura está oficialmente desativada há pelo menos dez anos. Duas empresas estão registradas no endereço e ambas estão no nome do parlamentar.

O o depósito clandestino foi interditado por fiscais do meio ambiente e a Defesa Civil municipal na semana passada, depois que foi encontrado seringas, ampolas de remédio e curativos.

Prisões

O advogado e ex-juiz eleitoral João Olinto Garcia de Oliveira, pai do deputado estadual Olytho Neto (PSDB), se entregou a polícia na noite desta terça-feira (27) em Palmas. O ex-juiz, que é investigado no escândalo do lixo hospitalar em Araguaína, tinha mandado de prisão em aberto contra ele e era considerado foragido.

Após se apresentar, o suspeito solicitou para que fosse recolhido em prisão domiciliar por causa de problemas de saúde, porém o pedido foi indeferido pelo juíz. João Olinto foi levado para o Quartel do Comando Geral de Palmas. Ele ficará no mesmo alojamento onde seu filho, Luiz Olinto, que está preso por suspeita de envolvimento no mesmo esquema.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *